terça-feira, 8 de maio de 2018

...

existe um vazio, preenchido de natureza, dentro. 
existe uma natureza, preenchido de vazio, fora.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

não sente isso?

nossas famílias são grandes. podemos ser irmãs, irmãos, primas, primos e não sabemos. 
nossas histórias são cruzadas. nos perdemos a muito tempo atrás. 
vivemos fugindo, escapando, movendo-se.
não sente isso?
fomos retirades de nossos lugares.
aprendemos a não parar. a sair em fuga.
a enfrentar. e dar conta.
temos uma força que não podemos ver a grandeza dela.
somos les sobreviventes de um caos.
mesmo ainda estando nele.
e não caímos fácil.
somos frágeis. frágeis fortes.
sempre fomos.
vamos bailando entre os truques.
descobrindo formas.
abrindo caminhos.
sim, vamos na frente.
abre ala.
abrindo para fechar.
construímos nossos remendos na pele.
mas, mais do que na pele, somos uma grande costura.
esse conhecimento e visão é muito antiga.
costuradas por dentro, na história, nessa rede que quebra o tempo e espaço. e viaja neles.
aprendemos a tocar tambor e chocalhos, a cantar e a dançar para relembrar, fortalecer, festejar, curar.
resistir aos que nos queriam separados.
nos abraçamos para nos reconhecer, para agradecer as nossas existências, para nos sentir.
vamos seguindo, às vezes gritando, às vezes em silêncio.
mas vemos tudo. muites de nós sentimos muito.
muites de nós conversamos muito.
vemos o invisível.
vemos os jogos. e aceitamos.
mas é porque já estamos em outro caminho.
o que nos interessa são nossas ancestralidades cruzadas.
nos amamos. e tb deixamos nosses continuar suas trajetórias. 
sentimos falta. não pertencemos. 
passamos por vários portões. atravessamos muitas encruzilhadas.
nos encontramos. e cada ume nos atravessa.
nunca estivemos em momento de trégua.
mas temos a experiência da sagacidade.
aprendemos. 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

o silêncio

o medo se instaurou em meu corpo. ele é bem antigo.

com uma outra forma de entender o mundo, perdi as referências, vivi as ansiedades do risco de morte, a tristeza das mortes, e a violência ao cruzar as binaridades de gênero. nada disso tinha esses nomes, mas tinha esses impactos. nada disso tinha essas compreensões. que eu saiba, e eu me lembre, isso foi dos 7 meses na barriga de mami ao 2 anos de idade. tudo que eu faço, vem de mim e de minhas lutas. o que eu não faço, vem da ansiedade. vendo, agora, de outra forma. após relaxar, ela se mostrou. mas agora é algo maduro, ao olhar. o que não significa que ela mudou, mas que ela pôde confiar em mim. a sensibilidade, o confiar no invisível, entender e passear por mundos outros… é onde me realizei por muito tempo. foi por onde andei. a violência material foi demasiada pra sensibilidade tão aflorada. fechei os olhos, os ouvidos. lá, não me tocavam. os choros não expurgavam, os gritos não expurgavam. não havia carinho, não havia proteção. havia a sobrevivência. que tb não tinha esse nome e essa compreensão. a família era aquela que cuidava de mim no silêncio, no invisível.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

atual

t e x t u a l 
 s e x u a l 
   EXU atual

domingo, 1 de março de 2015

eu queria escrever...

queria escrever sobre como as coisas me afetam. queria escrever sobre aquele cara, lindo, chorando no ônibus, de frente a mim. queria dizer-lhe que tudo vai ficar bem, mesmo sem acreditar nisso. queria escrever de como desejei ir pra casa dele, dar banho nele, depois uma massagem, e botar pra dormir. queria escrever sobre um novo processo de arte/vida que começa daqui a uma semana. queria escrever sobre tudo que estou pensando sobre isso, sobre como isso irá me afetar, se me transformará, se a partir disso eu darei um outro passo, e outro, ou não, ou se ficarei no entre, ou se voltarei. queria escrever sobre todos os medos e desejos desse processo. queria escrever como é sentir as portas fechadas. queria muito escrever sobre essas portas invisíveis. essas portas que chamam de colonização. queria escrever como é muito difícil realizar alguns projetos de vida aqui. queria escrever sobre a tristeza que sempre fica no inverno, e de sua presença, lembrança e resistência ao entrar na primavera. queria escrever de como estou cansada de tentar furar o cerco. queria escrever de como estou estrategicamente me organizando para furá-lo. queria escrever de como xs amigxs me dão muito amor, e muita companhia e que sem elxs eu realmente não seria nada. queria escrever de como eu fujo delxs e de minha ausência em suas presenças. queria escrever de como não correspondo à altura e ainda assim somos amigxs. queria escrever sobre todos os projetos que gostaria de realizar e de que nem metade deles sai da minha cabeça. queria escrever em outras línguas. queria escrever sobre como perco muito tempo na cama, dormindo. queria escrever um livro autobiográfico. queria escrever os detalhes de como é envelhecer. queria escrever o quanto me sinto orgulhosa de ver uma cena tão linda, com pessoas tão lindas, de quanto elas me afetam e que rola afeto entre nós. queria escrever como cada pessoa faz parte de mim, me dá boas respostas para viver, para abrir cadeados, pular muros. queria escrever que tenho saudades de todas essas pessoas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

...

fracassadxs e degredadxs filhxs do mundo, que andam de porto a porto buscando a solidão, te ofereço meu caos, minha encenação e minha ambição, meu calor e pós-colonização. te amo essa noite mas deixe-me acordar sozinhx.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

dezembro, 2014...

Dezembro. Dezembro... ----------> Cena 1: há 10 anos atrás, eu estava apresentando minha monografia “O ovo da Rainha Dragao”, sobre drag queens. Hoje, Jota Monstrx apresenta sua monografia, no mesmo programa. Ele apresenta “Teoria Cu: políticas do saber e da subjetividade a partir de pedro solange”. Estou de volta, conectada, num outro contexto, num outro tempo, mas no mesmo espaço. ----------> Cena 2: há 20 anos pisava pela primeira vez num palco de teatro, pela introducao de Makários Maia, com a adaptação do “Quarto de despejo” de Carolina de Jesus. Essa semana é a estréia de “StudioDisorder - La Maison Baroque” de Rodrigo Garcia Alves. ----------> me sinto canibalizada, vomitada, potente, coletiva, canibalizando, cagando, cansada, doída, perdida, existindo, resistindo, sobrevivendo, encontrada, desejosa, com todas as dúvidas e amizades, com todas as peças que faltam e angústias, com todos os privilégios e solidões, facilidades e enfrentamentos, atravessada e doadora… entre mundos distintos, conectados…